terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A EVOLUÇÃO DOS GRANDES CLUBES CARNAVALESCOS

TENENTES DO DIABO


A historia nos conta que as Grandes Sociedades, que na década de 70 eram denominadas GRANDES CLUBES CARNAVALESCOS, marca a atuação dos três mais antigos Clubes (Tenentes do Diabo, Democráticos e Fenianos), principalmente nos movimentos patrióticos brasileiros pela emancipação da escravatura e implantação da Republica.

“Foi no final do século XIX que se iniciou o carnaval das Grandes Sociedades, novidade anunciada em 14 de janeiro de 1855 pelo jornal Correio Mercantil – na época o mais importante da cidade – em crônica assinada pelo romancista José de Alencar. Constituída por um grupo de oitenta foliões dos mais diferentes ramos de atividades, as Grandes Sociedades prometiam promover, no domingo de carnaval, sua grande promenade pelas principais ruas do Centro da Cidade.

A riqueza e o luxo dos trajes, a musica, as flores e o aspecto original do grupo tornaram interessante o desfile de mascara. Foi assim que surgiram as tradicionais agremiações, das quais participavam pessoas de alto nível social, conforme comprovam famosos historiadores como Gastão Cruls, Melo Moraes Filho, Paulo Barreto (João do Rio), Mariza Lira, Roberto Macedo, Morales de Los Rio, câmara Cascudo, Vieira Fazenda, Luiz Edmundo e muitos outros pesquisadores da história do nosso carnaval.

Sua alteza Real o Imperador foi procurado, na residência oficial, na Quinta Imperial, por José de Alencar, Muniz Barreto, Joaquim Francisco Alves, Coronel Polidoro da Fonseca e João Quintanilha, que o convidaram para assistir das sacadas do Paço Imperial, na Praça XV de Novembro (antigo edifício dos Correios e Telégrafos), ao sensacional desfile, do qual participaram os oitenta iniciadores das Grandes Sociedades, entre eles Pinheiro Guimarães, Ramon de Azevedo, César Muzio, Augusto de Castro e Manoel Antonio de Almeida a fina flor da Elite carioca da época.

Nascia, assim, um carnaval cheio de alegria, entusiasmo e humorismo dominando as ruas do Rio.

O grupo inicial de foliões constituiu o chamado Grande Congresso das Sumidades Carnavalescos, dissolvido por constantes desavenças internas, surgindo, então, a Sociedade de Estudantes de Heidelberg, à qual se filiaram associados de outras agremiações.
O primeiro Grande Clube foi o dos Zuavos Carnavalescos nome de fundação dos Tenentes do Diabo, que surgiu no combate de num incêndio por seus associados a uma drogaria da Rua Direita (hoje 1º de Março) em pleno domingo de Carnaval de 1861 por este feito passou a ser chamado EUTERPE COMERCIAL TENETES DO DIABO com as cores vermelha e preta.
Em 1867 saiu com a alegoria “A Orfandade”, cujos componentes pediam auxilio para o Asilo dos Inválidos e para Caixa de Socorro D. Pedro II. Logo depois surgiria os DEMOCRATICOS CARNAVALESCOS. Sua história é de certo hilariante, segundo relatos da época, na comemoração do dia de Nossa Senhora da Gloria em 15 de Agosto 1866 toda as atenções das cariocas era para os oficiais da Marinha e do Exército que se preparavam para voltarem aos campos de batalha no Paraguai, onde combatiam Solano Lopes. Foi quando na Maison Rouge famosa Confeitaria onde a nata da boemia se reúnia, três boêmios conhecidos da época, um deles o português José Alves da Silva o Zé dos Pinicos, compraram um bilhete da loteria decidindo que , se ganhassem, fundariam um club carnavalhesco. No mesmo dia a notícia correu pela movimentada Rua do Ouvidor. A sorte grande fora tirada pelos três boêmios, quinze contos de réis uma fortuna na época.
Promessa é divida. Em Janeiro 1867, ja com a influencia das idéias republicanas, instalava-se em um sobrado da Rua Direita, 5 (hoje Primeiro de Março) o Democráticos Carnavalescos, Zé dos Pinicos foi 1º presidente que escolheu Nossa Senhora da Glória como padroeira do club, trazendo uma imagem da Santa de sua terra natal, cuja chegada ao Rio houve uma grande festa sendo conduzida para o Outeiro, como agradecimento, um rico troféu, uma águia de bronze, de asas abertas, pousada em uma rocha e trazendo no bico uma corrente atada à garra esquerda, símbolo adote também escolheu a bandeira: listras verde, amarelas, preta e branca, cores do Grupo dos Vinte Amantes, do qual era sócio. Anos depois resolverão abolir as cores verde e amarelo, ficando só preta e branca com a iniciais CD, mudando também o nome para Clube dos Democráticos.
Da Rua Direita, mudou-se para a Rua Hospício (Buenos Aires), em seguida para Rua do Cano (Sete de Setembro), depois para Rua do Sebo (Rua da Alfândega) passando depois para Rua do Fogo (Rua dos Andradas); Rua do Passeio ( onde funcionou o cinema Metro Boavista) e posteriormente para Pç Tiradentes (conhecida na época como praça da Constituição), segundo a imprensa da época foi comprado um terreno na Avenida Gomes Freire onde seria construída sede própria, no entanto o jornalista Edmundo Bittencourt (que era Democrático) interessado em construir ali o seu jornal, o Correio da Manhã consegue trocar por outro na Rua do Riachuelo, 91/93 (antigo caminho Mata Cavalos), quando como presidente perpetuo Alfredo Alves da Silva o Zé do Pinicos construiu a majestosa sede que na época era conhecida como Castelo nome dado por José do Patrocínio ainda na Rua do Cano onde proclamava e seus discursos pela abolição da Escravatura, dizia “deste CASTELO concito o povo à Abolição da Escravatura no Brasil”. Projetado pelo Arquiteto Sebastião Pereira de Oliveira e inaugurado em 20 de março de 1931 e tombado pelo Decreto nº 6932 em 08 de Setembro de 1987 , em sua homenagem através do Decreto nº 1910 de 1932 foi criada a Avenida dos Democráticos.